A nova cópia digital restaurada de OS OLHOS AZUIS DE YONTA estreia em Venice Classics

A nova cópia digital restaurada de OS OLHOS AZUIS DE YONTA (Udju Azul di Yonta, 1992), segunda longa-metragem de Flora Gomes, uma coprodução entre a Guiné-Bissau e Portugal, terá a sua estreia mundial na secção Venice Classics da 83.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, que decorre entre 2 e 12 de setembro de 2026.

Realizado poucos anos após MORTU NEGA, OS OLHOS AZUIS DE YONTA acompanha uma geração da Guiné-Bissau que cresceu após a independência, dividida entre os ideais da luta de libertação e as promessas da modernidade. Com franqueza, humor delicado e sensibilidade, Flora Gomes constrói um retrato vibrante de um país em transformação, refletindo sobre identidade, memória colonial e as aspirações de uma juventude chamada a imaginar o futuro.

Flora Gomes (Cadique, Guiné-Bissau, 1949) é um dos mais importantes cineastas africanos e uma figura maior do cinema guineense. Formou-se em realização no Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (ICAIC), em Havana, com Santiago Álvarez, e prosseguiu a sua formação no Senegal com Paulin Soumanou Vieyra, um dos pioneiros do cinema africano. Após a independência da Guiné-Bissau, trabalhou como repórter, operador de câmara e no Ministério da Informação, iniciando a sua carreira com documentários ligados à luta de libertação e à construção do novo país. A sua primeira longa-metragem, MORTU NEGA (1988), é considerada uma obra fundadora do cinema guineense e um marco do cinema africano. Consolidou o seu reconhecimento internacional com OS OLHOS AZUIS DE YONTA (1992), PO DI SANGUI (1996) e NHA FALA (2002), filmes apresentados e distinguidos em festivais como Cannes, Veneza, FESPACO e Cartago. A sua obra explora temas como a independência, a identidade cultural, a memória, o legado colonial e a relação entre tradição e modernidade, através de uma linguagem cinematográfica que combina reflexão política, humor, poesia e a tradição oral africana. Ao longo da sua carreira recebeu numerosas distinções internacionais pelo seu contributo para o cinema.

Esta nova cópia resulta da digitalização 4K, por imersão em janela líquida, do negativo de imagem de 35mm, material conservado pela Cinemateca. O som foi digitalizado a partir da banda magnética original, também conservada pela Cinemateca. A digitalização, o restauro digital e a correção de cor foram realizadas ao abrigo de uma parceria Cineric Portugal / Irmalucia Efeitos Especiais, e o restauro digital do som foi feito pelo Estúdio BillyBoom, em 2025, usando uma cópia de época como referência.

Criada em 2012, a secção Venice Classics apresenta anualmente uma seleção dos mais importantes restauros de clássicos do cinema mundial realizados por cinematecas, arquivos, instituições culturais e produtoras de todo o mundo.